Boca Juniors x Corinthians - Pré-jogo
"Esse Boca não é mais aquele". Eu ouço esse papo desde 2003, e de lá para cá, só vejo os times brasileiros apanhando, e feio, do clube argentino.
Estive analisando as campanhas do Boca na Libertadores desde a edição de 2000, quando eles ganharam a sua terceira taça, e acho que podemos extrair algumas estatísticas de valor dessa parada ai.
Ninguém, neste século, conseguiu virar um confronto para cima dos caras. O que quer dizer que todos que perderam o primeiro jogo do mata-mata para eles acabaram eliminados da competição.
O Defensor do Uruguai, carrasco do Boca na Libertadores de 2009, talvez até possa ser visto como um caso à parte, já que empatou em casa em 2x2 e venceu na Bombonera por 0x1. Pelo regulamento do gol qualificado, os uruguaios saíram da primeira partida em desvantagem, dado que jogaram em casa e empataram com gols. Entretanto, o ponto principal para mim é que eles não foram derrotados.
Além dessa eliminação já citada, os hermanos levaram mais 4 tocos na competição: em 2002, contra o Olímpia (1x1 e 1x0); 2004, diante do famigerado Once Caldas (0x0 e 1x1 - pen=2x0); 2005, contra o Chivas (4x0 e 0x0); e 2008, contra o Flu (2x2 e 3x1).
Observem que, tirando o Chivas, os outros 3 times jogaram a primeira na Argentina e conseguiram sair de lá sem perder. Apesar de serem poucos os exemplos, seria isso uma coincidência? Para mim, não.
Eu digo tudo isso porque, na minha opinião, aquela história de "empate fora e vitória em casa" nunca foi tão adequada como será para a situação que viveremos nestas duas semanas.
Santos e Grêmio, que em 2003 e 2007 chegaram com pinta de que poderiam brigar pela taça e acabaram sofrendo derrotas até humilhantes, pecaram exatamente neste ponto. Perderam por diferença maior que um gol na ida, na casa do Boca, e transformaram o segundo jogo em um mero cumprimento de tabela.
Como sempre, temos as exceções. O Palmeiras, tanto em 2000 quanto em 2001, fez o primeiro jogo na Bombonera e decidiu em SP. Saiu da Argentina com empates e, mais do que isso, jogando até melhor do que o Boca. Chegou aqui e nos dois casos, foi eliminado nos pênaltis.
Evidente que não há regras, certezas, nem fórmula mágica para sair vencedor desse confronto. Mas, vendo o currículo que o adversário tem em tempos recentes na competição, parece-me claro que o pensamento primordial deve ser o de sair vivo da Argentina. E por "sair vivo", entenda-se "empatar" ou pelo menos perder por no máximo um gol.
Confesso que para quem, como eu, está chegando aos 30 e é de uma geração mais jovem, olhar para o Boca sem temor é muito difícil. Eu sempre acompanhei a Libertadores, e lembro-me de cada uma das surras que os argentinos deram nos times brasileiros. O filme já se repetiu várias vezes e quase sempre com o mesmo script.
Olhar para os dois jogos que temos pela frente, contra o Boca, e acreditar que isso não voltará a ocorrer não é das tarefas mais simples. Mas como o Corinthians é o time dos resultados improváveis, que ganha título sem ter o melhor time, É NÓIS!!!! VAI, CORINTHIANS!!!! E SURRA DE BUNDA NOS ARGENTINOS !!!!!! KKKKK

Vejam que estamos com sorte! O velho Mick Jagger está na torcida pelo Boca!
por Don, el Coringone